Acontece que estamos fechando a revista “O Melhor e o Pior da Copa” aqui na Placar. Não tenho muito, por ora, como fugir do tema Mundial. Então, os quatro tópicos acima ficarão pra semana que vem. Para depois da final.
Tem um outro assunto que eu queria comentar, mas ilustrando: alguém aqui viu a foto do Materazzi abraçando o juiz, quando o Grosso fez o gol contra a Alemanha? Vi apenas na Gazzetta Dello Sport impressa, mas em preto e branco. Não ficaria legal escanear e colocar no blog. Se alguém achar a imagem pela Internet, por favor, passe-me o link através de um comentário acima, combinado? Valeu.
Bom, pelo que li nos comentários, em geral estamos de acordo: Cannavaro deveria ser eleito o melhor da Copa, se a final não trouxer nada de excepcional (leia-se uma falha bizarra do zagueiro) ou um fato não assim tão incomum: atuação brilhante e decisiva de Zidane.
Mas e em relação aos 23 da Copa eleitos pela Fifa? Achei boa, surpreendentemente sem politicagens. Analisando a regularidade e os resultados, minha lista pessoal não seria muito diferente. E a de vocês? Pra quem não se lembra quem foram os escolhidos, aí vai:
Goleiros:
Gianluigi Buffon (Itália), Jens Lehmann (Alemanha) e Ricardo (Portugal)
Defensores:
Roberto Ayala (Argentina), John Terry (Inglaterra), Lilian Thuram (França), Philipp Lahm (Alemanha), Fabio Cannavaro (Itália), Gianluca Zambrotta (Itália) e Ricardo Carvalho (Portugal)
Meio-campistas:
Zé Roberto (Brasil), Patrick Vieira (França), Zinedine Zidane (França), Michael Ballack (Alemanha), Andrea Pirlo (Itália), Gennaro Gattuso (Itália), Luis Figo (Portugal) e Maniche (Portugal)
Atacantes:
Hernán Crespo (Argentina), Thierry Henry (França), Miroslav Klose (Alemanha), Francesco Totti (Itália) e Luca Toni (Itália)
Juan e Lúcio poderiam brigar pela vaga de Terry. Frings e Maxi Rodríguez pela de Ballack. E Crespo, Totti e Toni entraram mais pela ausência de grandes atuações de atacantes no Mundial. Mas, no geral, achei a lista boa – acima da média da Fifa, diga-se.
Quem é? A Fifa já soltou a lista com os 10 candidatos: quatro italianos, três franceses, dois alemães e um português. A relação:
Gianluigi Buffon-ITA Gianluca Zambrotta-ITA Fabio Cannavaro-ITA Andrea Pirlo-ITA Patrick Vieira-FRA Zinedine Zidane-FRA Thierry Henry-FRA Michael Ballack-ALE Miroslav Klose-ALE Maniche-POR
Eu estou entre Cannavaro e Zidane. Votaria no francês apenas se ele desequilibrasse a final - ou se o italiano falhasse feio. Caso contrário, ficaria com o zagueiro, que foi impecável em todos os jogos até aqui. Zidane foi formidável em um e jogou bem em outros dois.
Mas tenho certeza de que Zidane levará de qualquer jeito: agora, são os jornalistas que votam. E jornalistas precisam mais do que ninguém de heróis, mitos e histórias épicas. Pergunto: há um final mais épico para a carreira de Zidane do que deixar o gramado no domingo com o prêmio de melhor da Copa? Até há. Ser melhor da Copa e campeão da mesma.
Atendendo a pedidos, as notas dos italianos na Bola de Prata. Sobre Cannavaro ser eleito o melhor jogador da Copa, acho possível, sim. Se a França for campeã (acredito que neste ano o melhor será eleito depois da final), certamente Zidane será o escolhido. Se for a Itália, Cannavaro é o principal candidato. Simplesmente porque foi o melhor jogador do time no Mundial até aqui. Só não sei se a Fifa não acharia mais emblemático dar o prêmio a Buffon. Porque a gente conhece a Fifa...
Del Piero: e não é que ele entrou no lugar de um volante?
Com esse nome e sendo autor de um blog sobre futebol italiano, seria hipocrisia negar minha simpatia (e torcida) pela Seleção Italiana. Mas, confesso, ela cresceu e eu fui absolutamente tomado pelo espírito dos jogadores da Azzurra durante o jogo contra a Alemanha. Justamente o caminho contrário que vi tomar o meu sentimento pela Seleção Brasileira. Com a Itália, neste jogo, sofri mesmo. No gol de Grosso, quase tive um treco.
Não foi só a comovente entrega dos jogadores (que, aliás, os alemães também mostraram). A Itália foi (e é) mais time. Jogou mais. Mereceu os 2 x 0. Pelo primeiro tempo e pela prorrogação.
Existe a velha história de a Seleção Italiana ser estigmatizada como um time de grossos (não o lateral, que agora virou sinônimo de qualidade) e violentos. E eu, que acompanho bem de perto o Campeonato Italiano, sei que a idéia está longe de ser verdadeira. O problema, em geral, são os técnicos...
E aí é que entra o segundo motivo pelo qual a Itália merecia levar essa: Marcello Lippi tinha que ser recompensado. Pela primeira vez, um técnico italiano resolveu colocar seu time para frente. Tentou mesmo evitar os pênaltis. Quando Del Piero se aquecia, confesso, achei que ele fosse tirar Totti de campo. Seria a alteração básica nas Itálias das últimas Copas.
Até comentei: “Ele poderia tirar o Perrotta.... mas tenho certeza que vai simplesmente colocar o Del Piero no lugar do Totti”. Quebrei a cara. Totti ficou. Perrotta saiu. E os italianos passaram a jogar praticamente com quatro atacantes – Iaquinta, Totti, Del Piero e Gilardino. Enfim: parabéns, Lippi.
PS1: e o Cannavaro, hein? Sinceramente, nunca tinha visto um zagueiro fazer uma Copa assim. Tudo bem, falta um jogo, não vou secar...
PS2: ia escrever sobre a crise do futebol italiano e a demissão do Capello. Mas não vou mais. Vou é tomar um vinho. Fica pra depois.
PS3: gostaria que os leitores comparassem as reações dos derrotados da Copa: a dos brasileiros, a dos ingleses e, hoje, a dos dedicados jogadores alemães. Será que nosso time de garotos-propaganda merecia alguma torcida? Perder nem sempre é o problema.
Talvez baseados nas casas de apostas que apontam os donos da casa como favoritos para a semifinal de hoje na Copa do Mundo, os jornais germânicos estão bem otimistas com o resultado da partida.
"Ciao Itália" e "Arrivederci" são algumas das manchetes das publicações do país nesta terça-feira. Já o jornal Bild preferiu algo como "Scusi, Azzurri. Então vocês também vão chorar hoje à noite". A capa, que mostra argentinos, espanhóis e ingleses em lágrimas, é esta aqui:
Trecho da apresentação da Placar para o jogo de amanhã:
...As críticas da imprensa mundial à forma com que os italianos passaram pela Austrália nas oitavas-de-final irritaram os jogadores da Azzurra. Mas nada feriu tanto quanto a brincadeira de mau gosto da revista alemã Der Spiegel. A publicação disse que os italianos não passavam de "formas de vida parasitas", "oleosos e escorregadios", que ficam cultuando seus corpos e cabelos nas praias do Mediterrâneo e que dependeriam dos outros para sobreviver (uma alusão ao pênalti que deu à Itália, a poucos segundos do final do jogo, o ticket para as quartas). A publicação também criticou o estilo "defensivo e oportunista" da Azzurra.
Primeiro, os italianos responderam em voz alta. "Eles nos criticam por nosso jeito de ser, mas querem se vestir e comer como nós. Existe um pouco de inveja nisso. Se todos estão nos atacando, significa que estão com medo de nós", disse o zagueiro Nesta. "Sinto-me ofendido como italiano. Estes estereótipos fazem parte de uma cultura velha e defasada", afirmou o capitão Cannavarro. Depois, responderam em campo...
Respondendo aos leitores: Totti é o oitavo colocado entre os meias da Bola de Prata, com média 6. Acima dele, porém, estão só três jogadores que continuam no Mundial - Zidane, Figo e Ballack. Resposta 2: ele não está pendurado, pois seu amarelo foi recebido ainda na primeira fase e anulado nas oitavas.
Me cobraram. E de fato fiquei devendo as notas da Seleção Italiana contra a Ucrânia, segundo a Bola de Prata da Placar:
Buffon7
Zambrotta7,5
Barzagli5,5
Cannavaro6
Grosso5,5
Perrotta5,5
Pirlo5 (Barone5)
Gattuso6,5 (Zaccardo5)
Camoranesi5,5 (Oddo5)
Totti6,5
Toni7
Vou antecipar aqui os três italianos que constam na seleção da Bola de Prata: Buffon no gol, Zambrotta na lateral-direita e Cannavaro na zaga. Pirlo, até a semana passada, era um dos dois volantes. Mas perdeu o posto com um 5,5 e um 5 nos dois últimos jogos. Agora, Vieira (França) e Maxi Rodriguez (Argentina) são os dois volantes...