Qual a importância de cada um dos 23 jogadores da Azzurra na conquista do tetracampeonato? Minha opinião:
* * * * * Cinco estrelas
Buffon O melhor goleiro da Copa e do mundo. Levou só dois gols: um contra, o outro de pênalti. Insuperável.
Cannavaro Irrepreensível em todos os sete jogos. Bola de Ouro da Placar: o melhor jogador do Mundial.
Pirlo Foi o cérebro do time, assumindo o papel que os meias não desempenharam. Além de marcar bem. Um dos melhores, sem dúvida.
* * * * Quatro estrelas
Zambrotta Boa marcação, sempre, e subidas esporádicas. Grande atuação (com gol) nas quartas-de-final contra a Ucrânia.
Grosso Nem era titular no começo da Copa. Mas ganhou a vaga durante o torneio e foi decisivo contra Austrália, Alemanha e França.
Materazzi Jogou bem sempre quem entrou. Contra a Austrália, foi expulso injustamente. Fez dois gols (um deles na final) e pode ser considerado o protagonista da decisão. Quem diria.
Gattuso Estava machucado nas duas primeiras rodadas. Mas, a partir da terceira, teve atuação fundamental na conquista do título.
* * * Três estrelas
Perrotta Ganhou a vaga de titular durante o Mundial. Esforçado, foi assim até o final.
Camoranesi Outro que virou titular durante o torneio. E, assim como Perrota, não mostrou muito mais do que esforço.
Totti Voltava de cirurgia, foi abaixo do esperado. Ainda assim, teve bons momentos contra Austrália, Ucrânia e até Alemanha.
Toni No começo da Copa, foi bem mas não marcou gols. Brigava muito na frente. Acabou marcando duas vezes contra a Ucrânia. E fez um pouco mais.
* * Duas estrelas
Nesta Seria titular absoluto, era até mais badalado do que Cannavaro. Mas, lesionado, deixou o time na terceira rodada e não voltou mais.
Barzagli Jogou bem na única partida em que teve oportunidade, contra a Ucrânia
De Rossi Tinha ganho a posição de titular nos treinos e amistosos. Mas uma cotovelada besta contra os EUA o fez perder quatro jogos. Só voltou na final, entrando no meio da partida (e batendo um dos pênaltis).
Del Piero Entradas discretas. Mas um belo gol na semifinal contra a Alemanha.
Gilardino Era titular absoluto antes do Mundial. Mas deixou o grupo nas oitavas-de-final. Ainda assim, entrou bastante em campo e foi bem contra a Alemanha.
Iaquinta Entrava quase sempre. E às vezes levava perigo, como na semifinal contra a Alemanha. Marcou um gol na estréia contra Gana.
Inzaghi Quando entrou, contra os tchecos, fez seu golzinho. Não teve mais oportunidades.
* Uma estrela
Oddo Jogou 25 minutos contra a Ucrânia.
Zaccardo Após fazer um gol-contra para os EUA, perdeu a vaga de titular que havia conseguido na estréia.
Barone Alguns minutos contra tchecos e ucranianos. Nada de mais, nem de menos.
E está certíssimo. Depois de ganhar uma Copa do Mundo, vai ficar pra quê? Pra estragar a ótima imagem deixada como alguns brasucas do fiasco na Alemanha?
Segundo a Gazzetta dello Sport, os prováveis substitutos são:
Gosto do Donadoni. Um técnico jovem, mas experiente, e muito respeitado pelos jogadores. Além de simpático.
Capítulo Bola de Prata Sim: Maxi Rodriguez virou meia e Figo, atacante. Os motivos estão na edição com o melhor da Copa, que já está chegando às bancas. A seleção é essa mesmo: Buffon, Zambrotta, Cannavaro (Bola de Ouro), Lúcio e Lahm; Vieira, Pirlo, Maxi Rodriguez e Zidane; Figo e Klose. A capa:
ps: pessoal, terei uns dias de folga, vou viajar e volto na próxima segunda (daqui a pouco coloco ainda uma análise sobre a participação de cada jogador italiano no título). Portanto, Edivan, o mercado italiano e as punições deixarei para a próxima semana – quando, aliás, já devemos ter alguma coisa resolvida.
Vamos (tentar) encerrar o caso da cabeçada. Pelo menos ao que parece, nem o L’Equipe e nem o The Guardian tinham razão. Quem acertou foi a Rede Globo (ééé do Brasil...): nesta terça-feira, o Corriere della Sera, jornal mais importante da Itália, mostra estar de acordo com a leitura labial feita pelo pessoal da emissora brasileira, no Fantástico. Ou seja: Materazzi xingou a irmã de Zidane de prostituta, provocando a reação do francês.
As outras versões eram que:
1)ele teria chamado Zidane (ou seus pais) de terrorista. (The Guardian)
2)ele teria xingado com palavras pesadas a mãe de Zidane. (L’Equipe)
Questionado sobre as possibilidades, o zagueiro disse o seguinte:
“O que aconteceu todo mundo viu na TV. Eu segurei a camiseta dele por alguns segundos. Ele se virou e, com ironia, me medindo de cima para baixo, com um ar de superioridade, disse que se eu queria tanto a camiseta, depois ele me daria. Eu respondi com um insulto, é verdade. Desses que eu escuto dezenas a cada jogo e que, num campo de futebol, escapam sempre”.
Sobre as hipóteses, Materazzi disse o seguinte:
“Com certeza não o chamei de terrorista. Sou ignorante, não sei bem o que significa terrorismo islâmico, e a minha verdadeira terrorista é ela (apontando para a filha). Muito menos coloquei a mãe dele no meio: para mim, mãe é sagrada, vocês sabem!”.
Sobrou a irmã, portanto. Zizou ainda não falou sobre o caso – mas disse que falará. O zagueiro francês Gallas disse que quer quebrar a cara de Materazzi. E até na redação de Placar teve engraçadinho fazendo frase polêmica (segundo alguns, machista) sobre o caso: “Agora vamos achar uma foto da irmã do Zidane. Pra ver se justifica tanta polêmica, né?”.
PS: acabo de ficar sabendo que Cannavaro levou a Copa do Mundo para Pessotto, no quarto do hospital. Legal.
PS2: por falar em Materazzi, fiquei devendo a foto dele abraçando o juiz depois do gol do Grosso, na semifinal contra a Alemanha. Antes tarde do que nunca (e obrigado, Rodrigo). Aí vai:
Logo depois da decisão da Copa, conversei por MSN com a turma da
Placar que ainda estava na Europa. As duas primeiras frases abaixo são de quem
ainda trabalhava, diretamente da sala da imprensa do estádio de Berlim. A
terceira, de quem já desfrutava da folguinha pós-Mundial. Dá
pra sentir um pouco do clima:
"Isso aqui tá muito engraçado: um monte de jornalistas italianos com a camisa
da Azzurra cantando 'siamo campioniiiiii del mooooondo' abraçados, um do lado do
outro. Aí os jornalistas franceseses fazem sssssshhhhhhhhhh. E os
carcamanos caem na gargalhada!!"
"Ah, comovente a alegria de todos os carcamanos da Azzurra: Del Piero
abraçado com o Gattuso (eu agora sou fã do Gattuso), Buffon que nem criança... e
o Lippi é uma simpatia, ao contrário do Domenech..."
"Vi o jogo com uns italianos - e umas alemãs - no centro de Praga, num telão.
Como é engraçado ver jogo com os comedores de macarrão! Vai ragazzi... joga,
joga, Madonna, San Genaro... que bello!"
Efeito Copa A Gazzetta dello Sport, principal jornal
esportivo da Itália, bateu o recorde de vendas de um jornal no país em toda a
história. Na segunda-feira, dia depois do título, foram vendidos mais de 2
milhões e 300 mil exemplares do diário. Mais exatamente, 2.302.088.
Segundo as contas do pessoal da Gazzetta, se empilhadas, as edições
ultrapassariam três vezes a altura da... Torre Eiffel! Evidentemente, a escolha
do monumento-parâmetro não foi aleatória...
A capa mais vendida (que, aliás, continua à venda no site da Gazzetta junto
com as capas das edições dos títulos de 1934, 1938 e 1982) é esta logo abaixo.
Interessados na compra do pacotão? É só acessar o link http://www.gazzetta.it/Store/offerte/package_13.shtml
.
Bola de Prata Li os comentários do post anterior, mas não
tenho as notas aqui (estou de folga, em casa) para discutir e mostrar a vocês.
Volto à Placar na segunda-feira. Aí falamos, combinado? O que posso fazer é
adiantar os quatro italianos na seleção da Copa: Buffon, Zambrotta, Cannavaro e
Pirlo - como vocês já deviam imaginar. E Cannavaro, para a gente, foi o Bola de
Ouro. O melhor do Mundial.
E a cabeçada de Zidane em Materazzi continua rendendo piadinhas de todos os
tipos.
O leitor Francisco Marconi mandou uma boa, depois de ter feito a leitura
labial do que disse Materazzi. Segundo Marconi, a frase que irritou tanto Zizou
foi "Encosta a tua cabecinha no peito e chora...". Pode ser, pode ser...
Também já recebi uma dúzia de vezes o joguinho que um italiano maluco,
empolgado com o título, criou na madrugada de ontem pra hoje. Todo mundo já deve
ter visto. Mas se não viu, aí vai o link:
Por fim, o Milton Trajano, ilustrador/piadista-oficial da Placar, quis me
complicar com a chefia: me colocou no lugar do Materazzi, dando a honra de ser
Zidane ao nosso diretor, Sérgio Xavier:
Verdade seja dita, ele já tinha tirado um sarro do meu "tifo" pela Azzurra
antes da semifinal contra a Alemanha. E não é que a brincadeira acabou dando
sorte?
Cannavaro, o melhor da Copa segundo este blog, levanta o caneco
Henry tinha razão em ficar irritadinho com Cannavaro naquele lance logo no começo do jogo?
Não, foi involuntário. Henry é uma mala. Daquelas sem alça. Arrogante e antipático que só ele. Esta pergunta, na verdade, é só para que eu tenha a oportunidade de chamar o Henry de mala. Craque, mas mala. Pronto, chamei três vezes.
Foi pênalti de Materazzi sobre Malouda? Não. Se bobear, o zagueiro nem encostou no francês. Se encostou, não dava pra derrubar. Mas ninguém analisa o jogo por aqui; só a cabeçada (não aquela na bola) do Zidane.
Pra quê serviu o pênalti convertido por Zidane? Pra que sua despedida tivesse um gol dele. Porque o gol combina com Zidane bem mais do que aquela rinocerontada do fim do jogo. Serviu também pra que Buffon não batesse o recorde de tempo sem levar gols em Copa do seu compatriota Walter Zenga.
No primeiro tempo, quem foi melhor? A Itália. Teve cinco chances, todas em bolas paradas (de Pirlo) – uma delas o gol de Materazzi e outra uma cabeçada no travessão de Toni. A França teve duas, uma delas o gol de Zizou.
E no segundo tempo? A França, fácil fácil. Dominou o meio-campo e levou bem mais perigo. Se não fosse Buffon...
O Buffon pegou tanto assim? Na verdade, não. Mas pegou aquela cabeçada de Zidane (aquela na bola, só pra esclarecer), que valeu como um gol.
continuação (me impediram de escrever mais lá em cima)
E na prorrogação, quem jogou mais? A França, de novo. Lippi bem que tentou colocar o time mais à frente, como fizera contra a Alemanha. Mas dessa vez o resultado não foi o mesmo.
Então o Lippi mexeu bem no time? Confesso que tinha achado que sim. Mas o Arnaldo, aqui da Placar, fez um comentário interessante: ao tirar Perrota (para colocar Iaquinta) e colocar De Rossi (para tirar Totti) ele só queimou uma substituição."Perrota poderia ter feito a função de De Rossi mais no meio e, se colocasse simplesmente Iaquinta no lugar de Totti, ele não queimaria uma substituição. Podendo, por exemplo, colocar Gilardino depois", disse o Arnaldo. E ele tem razão.
O que levou o Zidane a dar aquela cabeçada (não a na bola, para esclarecer)? Virou a grande pergunta da final. Já ouvi umas versões: Materazzi falou sobre a mulher de Zidane, falou sobre a irmã de Zidane e falou sobre a mãe de Zidane. O teor, ao que parece, não muda muito nas três versões. Materazzi não é flor que se cheire, eu sempre disse. Mas Zidane foi, no mínimo, bobão. Com certeza, as tevês italianas farão leitura labial das frases do zagueiro. Os italianos já fazem isso há muito tempo, bem antes do Fantástico... então, depois eu conto.
O resultado final foi justo? Pelo que se viu na final, não. Pelo que se viu na Copa, acho que sim. As listas de melhores da Fifa já comprovavam. Fora que o Brasil passa, de novo, a ter alguém na sua cola. De repente faz bem...
Quais os melhores jogadores do título da Azzurra? Para mim, os três, pela ordem: Cannavaro, Buffon e Pirlo. No segundo escalão, não mais pela ordem, coloco os laterais Grosso e Zambrotta, o zagueiro Materazzi (quem diria!) e Gattuso.
Triste quando um só jogador perde o pênalti e carrega o fardo de ter dado o título ao adversário, não? Em geral, sim. Nesta final, não. Porque coloco Trezeguet na mesma categoria de Henry (ver primeira pergunta).