Eu disse, eu disse. Disse, no post abaixo, que me cheirava a balela a notícia publicada pelo AS sobre a intenção do Milan liberar Kaká para o Real Madrid.
E, cá entre nós, não fosse assim o clube italiano não teria dado a irônica resposta que deu ao jornal espanhol em seu site. Teria, no máximo, soltado aqueles comunicados formais do tipo “O Milan desmente a informação de que estaria blá blá blá”.
Mas não. O Milan preferiu, podemos dizer sem medo, tirar um sarro da cara do AS. Segue um trecho de tradução do comunicado:
“Você deve saber, caro AS, que decidimos escrever a você como quem escreve para um amigo. E a partir do momento que quem encontra um amigo encontra um tesouro, temos uma riqueza infinita de argumentos para submeter à sua atenção.
Por exemplo: como poderemos lhe escrever que Kaká não sairá do Milan? No caso de não ser suficiente escrever apenas em italiano, temos ao seu dispor diversas possibilidades de escolha, espanhol incluso, mas quanto mais universais formos melhor será.
Para ser breve, caro AS, aqui na Itália um brilhante diretor florentino fez um filme intitulado ‘Te amo – em todas as línguas do mundo’. Então tenha paciência e nos deixe dizer: ‘Kaká não sairá do Milan – em todas as língua do mundo’, espanhol incluso.
A frase é objetivamente breve e simples, então você pode decliná-la como quiser. E pode deixá-la de lembrete para todos os dias do ano, feriados inclusos, com ampla liberdade de escolha no uso dos caracteres: em maiúsculo, maiúsculo-minúsculo, simplesmente em minúsculo, com ideogramas, hieróglifo...”
Pensei se deveria comentar aqui a notícia do AS, segundo a qual o Milan teria aceitado ceder Kaká em troca de Cannavaro, Robinho, Diarra e mais uma grana "ainda indefinida". E cheguei a conclusão que não, por três motivos:
A notícia não seria muito diferente se dissesse "Milan aceita liberar Kaká por um bilhão de euros". E daí? Se a possibilidade do negócio ser feita é nula, a notícia não é notícia. E enquanto os tal valor em dinheiro está "indefinido", essa notícia não quer dizer nada. Afinal, o Milan já tinha dito que por 70 milhões de euros até liberaria Kaká...
A imprensa espanhola — e isso nos foi dito por um jornalista espanhol — publica qualquer coisa que tenha a mínima chance de acontecer. "Se tem chance, pode virar capa" seria a regra segundo esse colega com passagem por grandes diários do país. Aliás, quem não se lembra das garantias de que o prêmio de melhor do mundo de 2006 iria para Ronaldinho Gaúcho, terceirão na lista da Fifa?
Mesmo que Galliani tivesse feito essas tais exigências (?) ao Real para liberar Kaká, tudo poderia não passar de uma boa argumentação para ter Ronaldo. Porque, como se lê no AS, as tais declarações do Milan aconteceram justamente nas reuniões para negociar a liberação de Ronaldo. Deve ter sido algo como: "Então tá certo: vocês me dão o Ronaldo agora, por 7 milhões, que depois a gente conversa sobre o Kaká, tá? Quem sabe. Se vocês me derem o Cannavaro, o Diarra, o Robinho, o mundo..."
Caros, desculpem a repetição. Mas estou mostrando ao Rogério, do TGFF, como colocar um vídeo no blog. E a versão abaixo, com a música do White Stripes, é bem legal...
Segundo o Marca, ele fica. Mas os
jogadores não o engolem...
A notícia é de ontem, eu sei. Mas Capello fica no Real Madrid. A enésima
mudança de técnico em tão pouco tempo, hoje, não acrescentaria nada ao Real.
Capello começou uma reformulação necessária, que precisava acontecer mais cedo
ou mais tarde.
Dará resultado agora? Provavelmente, não. Mas alguém precisava acabar com
essa pataquada de "galácticos", mesmo que não seja esse alguém a colher os
frutos mais pra frente — e, justiça seja feita, Capello queria iniciar a
reformulação ainda no início da temporada, mas foi contido pela diretoria.
E você? Concorda com a não demissão de Capello no Real Madrid?
PS: Por falar em futebol espanhol, já está no ar o blog de Bruno Sassi, Buela
de Capotón, na mesma linha deste. Para acessá-lo, é só clicar aqui.
O futebol na Itália recomeçará nesta quarta-feira com um inusitado Milan x Santos! Mas o jogo, válido pelo torneio de Viareggio (tradicional campeonato de categorias inferiores que acontece anualmente no país), será disputado com os portões fechados.
A crise no futebol italiano continua merecendo a manchete principal do Corriere della Sera nesta terça-feira — o jornal, porém, não tem abordado o tema em sua seção de esportes, e sim na primo piano. A manchete do jornal é "Calcio, porte chiuse per 20 squadre". A lista dos 20 times que jogariam com os portões fechados inclui também os da série B — da série A, apenas Ascoli, Atalanta, Catania, Chievo e Udinese.
Mas nada está definido, ainda, sobre os portões fechados. O que se sabe é que a 23a rodada deve acontecer no final de semana, com Ronaldo estreando no San Siro, contra o Livorno, e não mais contra o Ascoli, fora de casa. No último final de semana, com o adiamento da 22a rodada (que inclui o clássico Inter x Roma e acontecerá nos dias 17 e 18 e abril), o Fenômeno acabou aproveitando o tempo livre para, vejam só, jantar na casa de Silvio Berlusconi.
Se os portões fechados ainda causam polêmica, a adoção (pra valer) de ingressos nominais, a proibição de venda de ingressos em blocos para visitantes, o veto para viagens de torcidas em trens especiais a outras cidades, a proibição de relações formais entre clubes e torcidas organizadas e a possibilidade de prender em flagrante, dentro de 48 horas, torcedores que tenham sido filmados em atos violentos são medidas praticamente certas que serão adotadas.
Era para ser o fim de semana da estréia de Ronaldo. O fim de semana de Inter x Roma. Mas o protagonista da rodada foi o até então desconhecido Filippo Raciti, policial assassinado por torcedores organizados do Catania durante o jogo da última sexta-feira, contra o Palermo. Saldo da partida: um morto, 150 feridos e 22 presos, entre os quais nove menores.
E o futebol, na Itália, parou. Profissionais e categorias inferiores. Até os jogos das seleções italianas foram cancelados. E a Euro 2012 na Itália estaria ameaçada. Hoje discute-se se a parada continua por outra rodada, e se os jogos acontecerão com portões fechados depois. Há quem diga que a parada foi um exagero, que assim "venceram os criminosos", mas não concordo.
Filippo Raciti tinha 38 anos anos e ganhava cerca de 1400 euros por mês. Para sua mulher e seus dois filhos, a interrupção não valerá muita coisa. O tempo, claro, também não servirá para que os bandidos que o mataram com bombas, pedradas e chutes pensem e se arrependam.
Mas a interrupção foi importante como sinal. Um sinal de que a morte de uma pessoa não é e nunca será normal por causa de um jogo de futebol.
A repercussão do caso na Itália, para nós, brasileiros, tão tristemente habituados com a morte de pessoas em jogos de futebol, impressiona: no sábado, no domingo e nesta segunda-feira, o assassinato de Raciti — e suas conseqüências — mereceram a manchete principal do Corriere della Sera, o mais importante jornal do país.
Ontem, na RAI, um especial de cerca de duas horas exibia uma discussão com sociólogos, ex-jogadores, dirigentes, policiais e até com o prefeito de Roma (num link direto de seu gabinete) sobre as causas, as conseqüências e as possíveis soluções do problema.
Falou-se em "soluções inglesas". Mas alguém rapidamente disse que era melhor usar um exemplo latino. Porque algumas leis inglesas, como o ingresso nominal, já existem na Itália. Porém, como acontece também aqui no Brasil, "não pegam" por lá. Porque, na Itália, como no Brasil, as pessoas não estão dispostas a conceder coisa alguma (não beber, não fumar, não levar bandeiras, se encher o saco para comprar ingressos...) em troca da segurança nos estádios.
Por isso, e por todas as outras coincidências culturais e futebolísticas entre Itália e Brasil, acho que devemos ficar atentos a possíveis soluções do problema por lá. Porque também podem ser soluções para a gente, por aqui.
De unanime, na discussão de ontem na RAI, apenas a idéia de acabar com os Ultràs, as torcidas organizadas dos italianos. Eu sou a favor, sem ressalvas, tanto lá como aqui. Mas essa é uma outra história. E uma longa discussão.