A polêmica e a discussão que vocês começaram é boa. Então vamos lá, vou meter minha colher. Sou fã de Totti como poucos, o que me torna até alvo de piadas maldosas da redação da Placar — a verdade é que eles acham o cara muito bonito.
Mas minha admiração é baseada em outras coisas: a inteligência (técnica, não psicológica) e visão de jogo impressionantes, a precisão e beleza dos passes, a capacidade de finalizar de quase todos os jeitos e lugares e, ao contrário de muitas estrelas, o fato de ele jogar para o time (do qual é dono) e não para si mesmo.
Outro dia começamos a listar na Placar os 10 melhores jogadores que vimos na última década. Para mim, não há dúvidas: Totti está entre eles. Por outro lado, acho normal que não o coloquem na lista, pois fui privilegiado: morei na capital italiana, período em que acompanhei todos os jogos da Roma e via Totti em ação pelo menos uma vez por semana. Desde então, sigo o futebol da Bota bem de perto. Sei, portanto, que a capacidade técnica de Totti quase não tem equivalentes no futebol atual.
Por motivos óbvios (leia-se, de resultados), a Roma não é uma equipe seguida por todos os fãs de futebol — ao contrário de Real Madrid, Milan, Juventus, Barcelona e Manchester, pelo menos. Pedir que a Roma seja vista de perto por todos é o mesmo que pedir, por exemplo, que o Valencia o seja. Não dá, compreensivelmente. E quem não o vê sempre na Roma, realmente, não tem motivos para considerar Totti tudo isso.
Suas atuações pela Itália não são tão excepcionais? Certamente não. Mas daí a dizer que Totti não deveria fazer parte do elenco italiano é um absurdo. Uma atuação mediana do capitão da Roma, hoje, é superior a qualquer atuação em nível máximo de qualquer outro jogador italiano com exceção de Del Piero. Não é uma questão de empenho, mas de capacidade técnica. De saber até onde cada um pode chegar.
Isso tudo, no entanto, não dá a Totti o direito de desprezar a seleção italiana do jeito que ele vem desprezando. Uma seleção que, diga-se, está ameaçada nas eliminatórias da Eurocopa e precisa mais que nunca do seu brilhante camisa 10. O tornozelo, quem vem acompanhando o Campeonato Italiano sabe bem, não é mais problema. E a falta de vontade é só o que consigo enxergar como justificativa do jogador nesse momento.
E aí, se é assim, eu concordo com Enzo Bearzot, o técnico da Itália na Copa de 1982: Totti até tem liberdade para escolher não jogar pela Itália agora e não mostrar a vontade que tem mostrado, por exemplo, um ainda mais experiente Del Piero. Mas que aceite numa boa não ser chamado nunca mais. Porque, nós brasileiros sabemos bem, torcer por uma seleção com jogador sem tesão é a coisa mais irritante do mundo...
PS: tinha outros assuntos para hoje, como Lippi e Vialli no Chelsea, a possível saída de Buffon da Juve, as balas de fuzil enviadas às sedes de Milan e Inter e os cortes da seleção italiana. Mas acho que me alonguei demais no Totti, não? Por hoje, por mim e por vocês, parei.
Em 2005, publicamos na Placar um breve perfil do sueco Zlatan Ibrahimovic. Uma das frases da matéria dizia o seguinte:
"...Ibrahimovic esperar fazer um pouco do que já fez em Mundiais o seu maior ídolo, Ronaldo. Há pouco tempo, o sueco posou para fotos em seu quarto, ao lado de vários pôsteres do atacante brasileiro...."
Acabo de receber o link do vídeo abaixo, do último clássico entre Inter x Milan. Reparem no misto de admiração e curiosidade e, principalmente, na tentativa (sem sucesso) de receber de volta um sorriso do ídolo. É impressionante.
Só pra lembrar: fim de jogo, Inter 2 (um gol de Ibra) x Milan 1 (gol de Ronaldo). Deve ter sido uma das maiores satisfações da carreira do sueco...
Quem quiser pode questionar Massimo Moratti, o dono da Inter de Milão. Podem questionar sua política de contratações de jogadores, por exemplo. Mas nunca sua educação. O dirigente é um verdadeiro lorde, homem avesso à polêmica e, pelo menos me parece, decente. Quando vejo suas entrevistas equilibradas, coerentes e generosas, fico pensando como seria legal se nossos cartolas fossem assim...
Sobre ele, um trecho da coluna de Candido Canavò que publiquei aqui no dia 10/3 (quem não leu pode conferir na íntegra, lá embaixo, porque vale a pena) me chamou a atenção: "Moratti, mestre na arte de justificar seu próximo mesmo quando não existem justificativas, disse-me que eu exagerava falando em traição: Ronaldo não suportava Cuper e afinal fechara para a Inter um de seus poucos bons negócios".
A frase resumiu minha opinião e ratificou a idéia que eu tinha (e tenho) sobre Moratti. Um cara, no mínimo, generoso.
Pois bem. Eis que anteontem, um torcedor idiota da Juventus resolveu interromper uma entrevista de Moratti aos berros, mandando que ele tirasse "aquele scudetto de papelão" da camisa da Inter. O dirigente, coisa rara, perdeu o controle e aproximou-se do torcedor, que logo perguntou:
— Você vai me bater?
— Não, só gostaria de dizer que não é educado isto que você está fazendo — respondeu Moratti, voltando a sua versão lorde.
— Eu estou acostumadíssimo. Faço o gesto da banana, mando Ronaldo tomar no c.. — retrucou o pateta.
O dono do bar tentou intervir e pediu que o torcedor parasse. Mas o energumeno começou um discurso sobre liberdades individuais, disse estar num lugar público, arrotou mais uma ou outra pataquada e, num gesto irônico, perguntou se Moratti queria ver seus documentos. O dirigente respondeu que não era polícial, percebeu tratar-se de um caso perdido, desistiu e virou as costas — enquanto o panaca continuava falando já sem a atenção das câmeras.
No fim das contas, Moratti mandou que o torcedor engolisse o celular. Dessa vez, gostei da falta de polidez.
À noite, num telejornal, o torcedor pediu desculpas a Moratti e aos torcedores da Inter. Arrependimento sicero? Não pareceu. Provavelmente, queria só mais alguns segundinhos de fama...
Sobre a capa da Placar, diante de tanta polêmica, é bom ficar claro que em nenhum momento a revista mudou de opinião em relação àquilo que vinha publicando sobre os "1000" gols do Romário. A idéia de que não vale, por exemplo, contar gols de categoria infantil continua. Afinal, se vale infantil, por que não valeria contar os gols de fraldinha, hein? O que a capa dessa edição traz é um número novo e, na minha opinião, mais relevante: em jogos oficiais (considerados pela Fifa, confederações e federações), sem contar amistosos, Romário precisa de mais cinco gols para superar Pelé. E é bom que se diga: na Europa, é justamente esse o critério dos principais veículos de informação para contabilizar gols - por lá não se computam os gols de amistosos.
PS1: Sequei o Bologna e o Genoa dizendo que estava pintando a promoção de três grandes para a Série A. Agora, ambos foram superados por Piacenza e Rimini, que seguem abaixo de Juventus (e o Palladino? Comentários?) e Napoli.
PS2: Depois da briga do Adriano com o grandalhão do basquete numa boate, li que a Inter teria se cansado de suas confusões e estaria providenciando sua negociação. Para o seu lugar, Mancini estaria estudando a possibilidade de Cassano. Só pode ser piada...
PS3: A imprensa espanhola dizia que Ronaldo era uma má companhia para o Robinho em Madri, porque o levava para sair à noite. Maldade... vocês não viram que foi justamente o Ronaldo quem impediu Adriano de continuar trocando socos na tal boate? ...pensando bem, isso depõe a favor ou contra o Fenômeno?
á chegando ao fim. Mas minhas energias também. Por isso, hoje continuarei no meu estilão blogueiro-sanguessuga da última semana: coloco as principais notícias do dia aqui e vocês ficam responsáveis pelos comentários, combinado?
E as principais not
ícias de hoje (ops, já é ontem), vocês sabem, são os resultados do Italiano e a convocação da seleção italiana para enfrentar a Escócia, dia 28, pelas eliminatórias da Euro 2008. Quagliarella e Tonetto são as novidades. Prometo comentários sobre a Azzurra para o meio da semana. Por ora, só a lista:
Meio-campistas: Mauri (Lazio), Ambrosini (Milan), De Rossi (Roma), Gattuso (Milan), Pirlo (Milan), Semioli (Chievo), Perrotta (Roma), Camoranesi (Juventus)
Atacantes: Quagliarella (Sampdoria), Rocchi (Lazio), Toni (Fiorentina), Gilardino (Milan), Del Piero (Juventus), Di Natale (Udinese)
Ambrosini, convocado, cabeceia para fazer um gol de três pontos para o Milan
Resultados da rodada, mas com os tradicionais comentários jogo a jogo bem curtinhos:
Milan 1 x 0
Atalanta (tava louco para criticar a convocação do Ambrosini para a seleção, mas hoje não vai dar)
Ascoli 1 x 2 Inter (hum... isto é uma gravação: a Inter ganhou, grande Ibra)
Cagliari 0 x 2 Chievo (não tenho muito o que dizer, sabem? Nada, na verdade. Perdão)
Catania 1 x 4 Reggina (Foggia fez o gol da rodada, vocês verão aqui o motivo. Ou já viram?)
Fiorentina 0 x 0 Roma (não era o jogo dos artilheiros? Não, não... era o do aniversariante Frey)
Messina 0 x 3 Torino (o Toro ficará na Série A. Ótimo. E melhor se só subirem três grandes)
Parma 1 x 0 Siena (irresistível, o Parma sai da lanterna - sim, o irresistível é uma ironia)
Udinese 4 x 0 Livorno (o único gol brasileiro da rodada foi de Barreto, de pênalti. E foi o quarto)
Lazio 3 x 1 Empoli (Rocchi e Pandev, gosto desses dois, marcaram)
Sampdoria 1 x 1 Palermo (olha o Cavani de novo... se seguir assim, ele não fica duas temporadas na ilha)
PS: sobre a Placar de abril, teremos o "Time dos Sonhos" do carrasco Paolo Rossi. Ele escolheu apenas um jogador da Azzurra de 1982 e outro da de 2006. Querem arriscar quem são eles?